Como tudo começou

Antes do Coquim existia a Ouro Fértil Agropecuária, instalada na Alameda das Quaresmeiras, no Parque Petrópolis, em Mairiporã. Em meados dos anos 1990 a empresa vivia de um único produto: o Húmus de Minhoca Dinamizado, feito artesanalmente num processo de cerca de seis meses inspirado na dinamização da homeopatia. Era vendido em sacos de juta com um ouroboros estampado — a serpente que morde a própria cauda, que se tornaria a marca da casa.

Quem conduzia a empresa era Maria Luiza Puzzi Abbud, a Malu. Ao olhar para a casca do coco — resíduo que o Brasil produzia aos milhões e simplesmente descartava — ela fez a pergunta que originou tudo: e se aquela fibra pudesse substituir o xaxim? O xaxim, afinal, não era um material: era o tronco de uma samambaia gigante da Mata Atlântica, a Dicksonia sellowiana, que leva mais de um século para chegar ao tamanho de um vaso e estava sendo derrubada aos milhares.

Em 1996 nasceu o Coquim: um vaso feito só de fibra da casca do coco aglomerada com látex natural, sem nenhum produto químico ou aditivo artificial. A imprensa percebeu o tamanho da notícia quase de imediato. Em 26 de junho de 1996 o Diário do Comércio anunciava “Coquim chega para mudar sua casa”; em julho o Estado de S. Paulo cravava: “O xaxim está com seus dias de vida contados.”

Por que a fibra de coco funcionou

A fibra da casca do coco tem cerca de 45% de lignina e um alto teor de tanino, que age como fungicida natural e impede a proliferação de pragas. Ela respira, absorve e devolve umidade lentamente, não deforma, não espeta a mão, é leve, não solta farelo, é reciclável e biodegradável — e, na combustão, não exala gás tóxico. Tudo isso a partir de um subproduto agrícola renovável: o Brasil colhe centenas de milhões de cocos por ano e a casca, antes lixo, virou matéria-prima.

A primeira linha tinha vasos em oito tamanhos, de 8 a 22 polegadas de diâmetro, estacas (tutores) de 40, 60 e 80 cm e placas de 22×20 cm e 15×30 cm, com preços entre R$ 3,50 e R$ 15,00. Em pouco tempo o Coquim estava nas prateleiras do Pão de Açúcar, do Carrefour e do Wal-Mart, em floriculturas e em lojas de decoração. Uma revenda de Montes Claros resolveu testar o limite do produto do jeito mais direto possível: pediu que um cliente de 70 a 80 kg entrasse dentro de um Coquim nº 22, suspendeu o vaso a 40 cm do chão por quase um minuto — e o vaso não cedeu.

Quando o Brasil inteiro bateu à porta

O ano de 1997 foi o da virada. Em poucos meses chegaram à pequena fábrica de Mairiporã cartas da EMATER-MG, da EMBRAPA/Cenargen — que havia encontrado o Coquim numa gôndola de supermercado em Brasília —, da ONG SOS Terra, da SPVS de Curitiba, da Fundação Viver de Natal, da Universidade de Passo Fundo e da Leroy Merlin.

A mais importante veio em 11 de julho de 1997, do IBAMA. O instituto havia acabado de realizar, em Urubici (SC), o 1º Workshop sobre a Conservação da Dicksonia sellowiana e escreveu diretamente a Malu: os vasos de fibra de coco fabricados pela empresa “podem ser uma das alternativas que virão contribuir sensivelmente para minimizar a prática de extração do xaxim da natureza”. Era um convite formal para que a empresa fosse parceira na campanha nacional a favor da conservação da espécie — parceria que o IBAMA reafirmaria por escrito em 1999.

No fim do mesmo ano, o designer francês Alexis Tricoire visitou a fábrica e propôs levar o Coquim à Europa. Ele havia incluído a fibra de coco no projeto do Festival International des Jardins de Chaumont-sur-Loire, na França. Vieram também sondagens de exportação do grupo português Sonae e de uma trading canadense para Estados Unidos e Canadá.

“Os vasos de fibra de coco fabricados por esta empresa podem ser uma das alternativas que virão contribuir sensivelmente para minimizar a prática de extração do xaxim da natureza e, em última instância, ajudar na conservação da espécie.”
IBAMA — Coordenadoria de Fauna e Flora Silvestre Carta a Maria Luiza Puzzi, 11 de julho de 1997
“Parabenizo esta empresa pelo brilhante trabalho no desenvolvimento do produto COQUIM, que precisa ser divulgado e distribuído para todos os cantos do País.”
Clóvis Ricardo Schrappe Borges — Diretor Executivo, SPVS Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem, Curitiba, 14 de julho de 1997
“Realmente trata-se de um produto revolucionário e veio em boa hora, pois o uso do xaxim no mercado é um mau sinal: significa a quase extinção das samambaias gigantes das florestas úmidas, pelo corte clandestino.”
Gilberto Teixeira — Diretor, Agência Ambiental SOS Terra Rio de Janeiro, 18 de junho de 1997
“Seu trabalho no Brasil oferece um modelo de empreendimento florestal sustentável, ao valorizar recursos renováveis da floresta e integrar comunidades em empregos justos de longo prazo.”
World Resources Institute — New Ventures Carta de formalização da parceria, março de 2000

Nossa Trajetória

1994

A Ouro Fértil e o húmus

A empresa chega ao mercado em Mairiporã com o Húmus de Minhoca Dinamizado: 100% orgânico, artesanal, produzido em um processo de cerca de seis meses. O ouroboros no saco de juta já anunciava a ideia de ciclo que guiaria a marca.

Fonte: Diário do Comércio, 26/06/1996
1996

Nasce o Coquim

Inventado e lançado o vaso de fibra de coco aglomerada com látex natural — o primeiro substituto real do xaxim no Brasil. A linha estreia com vasos em oito tamanhos, estacas e placas, e chega às redes Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart.

Fontes: Diário do Comércio 26/06; Folha do ABC 30/06; O Estado de S. Paulo 14/07 e 24/07/1996
1997

O IBAMA convida a empresa para a campanha do xaxim

Depois do 1º Workshop sobre Conservação da Dicksonia sellowiana, em Urubici (SC), o IBAMA reconhece o Coquim como alternativa à extração do xaxim e propõe parceria. No mesmo ano chegam manifestações da EMBRAPA/Cenargen, da SPVS, da SOS Terra, da EMATER-MG e da Leroy Merlin.

Fonte: correspondências IBAMA/DIFAS, 11/07/1997 e 20/12/1997
1997

O Coquim chega à Europa

O designer francês Alexis Tricoire visita a fábrica em outubro e propõe representação europeia, depois de levar a fibra de coco ao Festival International des Jardins de Chaumont-sur-Loire. Seguem-se consultas de exportação do grupo português Sonae e de uma trading para Estados Unidos e Canadá.

Fontes: carta de Alexis Tricoire, Paris, 06/11/1997; Export Americas Inc., 05/01/1998
1998

A ciência confirma

Pesquisa da Universidade de Passo Fundo com orquídeas Laelia purpurata compara três recipientes: o Coquim promoveu o maior crescimento da planta como um todo, com massa seca de 0,18 g, contra 0,13 g do porongo e 0,12 g do vaso plástico. A CEPLAC passa a estudar a fibra na produção de mudas de cacau.

Fonte: Tramontina, S. — Instituto de Ciências Biológicas, UPF, Passo Fundo/RS
2000

Reconhecimento internacional

O World Resources Institute, de Washington, formaliza apoio à empresa pelo programa New Ventures. Com apenas seis funcionários, a Ouro Fértil torna-se uma das oito finalistas do 1º Concurso de Negócios Ambientais da América Latina.

Fontes: carta do WRI, março de 2000; Jornal do Brasil, 30/09/2000
2005

O relançamento na Garden Fair

Depois de alguns anos afastada do varejo, a empresa volta à Garden Fair de Holambra para relançar o Coquim reformulado, agora com resinas naturais que deixam o vaso mais bonito e mais favorável ao desenvolvimento da planta — e anuncia mantas para paisagismo e forrações de parede para o mercado de arquitetura.

Fonte: Revista da Garden Fair Holambra, 2005
2006

Primeiro prêmio e Dia do Meio Ambiente

A COQUIM e o Orquidário Morumby conquistam o 1º prêmio na 74ª Exposição de Orquídeas da AOSP, em São Paulo. No Dia Nacional do Meio Ambiente, a Scania distribui produtos COQUIM no encontro anual da AEA — Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, com etiqueta dedicada à preservação da Mata Atlântica.

Fontes: AOSP, março de 2006; Scania/AEA, 05/06/2006
2010

Da jardinagem para a arquitetura

A revista Arquitetura & Construção aponta a manta de fibra de coco da COQUIM como uma das alternativas 100% atóxicas ao isolamento térmico convencional, que expõe trabalhadores a compostos orgânicos voláteis. A fibra passa a ser usada também em jardins verticais, telas pintadas e estofamentos.

Fonte: Arquitetura & Construção, novembro de 2010
2012

Selo Mercado Mata Atlântica

Os produtos passam a levar o Selo de Origem “Produto Sustentável” da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica — o programa MaB da UNESCO —, sob o registro nº 2054006/12, ao lado do apoio ao IBAMA e à Fundação SOS Mata Atlântica impresso nas embalagens.

Fonte: rótulos COQUIM — RBMA nº 2054006/12
Hoje

Trinta anos depois

Três décadas depois da invenção, a COQUIM segue fabricando vasos, cachepôs, placas, estacas, mantas, adubos e o Pó de Coco Mágico com o mesmo princípio de 1996: fibra de coco e látex natural, nada mais. O pedido estampado nas primeiras etiquetas continua valendo — use um Coquim, salve o xaxim.

O que a fibra virou ao longo do tempo

O Coquim começou como um vaso. A mesma matéria-prima, porém, foi encontrando caminhos que ninguém tinha previsto — e cada um deles nasceu de um pedido de cliente, de um pesquisador ou de um artista.

1994 — 1996

Adubo e terra

Húmus de minhoca dinamizado, terra vegetal e bulbos de amarílis, lírios e gladíolos. O negócio de origem, que financiou a invenção seguinte.

1996 — 2000

Vasos, estacas e placas

A linha que substituiu o xaxim: oito tamanhos de vaso, tutores de 40 a 80 cm e placas para revestir muros e paredes com verde.

2005 — 2010

Mantas e paisagismo

Mantas para paisagismo, forrações de parede, cones e cachepôs para orquídeas, painéis e buquês embalados em fibra — o Coquim entra na floricultura e na decoração.

2010 — hoje

Arquitetura e substrato

Isolamento térmico atóxico, jardins verticais, telas de fibra natural pintadas por artistas plásticos e o Pó de Coco Mágico, substrato que rende oito litros a partir de 500 gramas.

Do arquivo da empresa

Nada do que está escrito aqui é reconstituição de memória. Tudo vem de uma pasta guardada desde os anos 1990 com recortes de jornal, cartas de órgãos públicos, laudos de pesquisa e as primeiras etiquetas do produto. Clique para ampliar.

Acervo COQUIM / Ouro Fértil. As reportagens e correspondências reproduzidas pertencem aos respectivos veículos e instituições e são exibidas aqui a título documental e histórico.